Cuidado com o seu dinheiro
Postado em | julho 22, 2010 | Nenhum comentario
Heloisa Sundfeld e João B. Sundfeld (*)
Os bancos estão tão preocupados com o aumento das dívidas dos clientes que até pensam em editar cartilhas, folhetos e incluir em seus sites informações para conscientização das pessoas que não se importam com as taxas de juros cobrados pelos cartões de crédito e contas com cheques especiais (O Estado B4 28.06.10). A verdade é que os bancos querem manter os clientes, mas também querem receber o que lhes é devido. O aumento das facilidades de crédito pode induzir as pessoas a comprar a prazo, desde que o valor a pagar por mês caiba dentro do salário. O risco dos bancos é o não recebimento das dívidas de seus clientes.
Dentre as informações para conscientização, estão dicas como a de que é melhor economizar, juntar o dinheiro necessário e comprar à vista, negociando até um desconto. Outra dica é escolher entre os diversos planos de financiamento o que cobra menores juros, pegar o dinheiro e comprar à vista o produto desejado. A tabela abaixo mostra as diversas modalidades de crédito existentes e o valor das taxas de juros médios mensais cobradas pelos bancos no mês de maio/2010:
Modalidade Taxa de juros mensal
Cartão de Crédito………………. 10,69
Cheque Especial………………… 8,33
Crédito Pessoal………………….. 3,02
Crédito Consignado…………….. 2,00
Vamos a alguns exemplos: Cartões de crédito devem ser utilizados com cuidado, pensando sempre que na próxima fatura as compras deverão ser pagas. Sempre recomendamos que a fatura mensal seja paga integralmente no vencimento, para que a pessoa não fique sujeita a pagar os juros mais altos do mercado (10.69% ao mês).
O cheque especial é um limite de crédito que o banco oferece ao cliente, cobrando uma taxa média de juros de 8,33% ao mês. Ou seja, se a pessoa emitir cheques no valor de R$ 1.000,00, no final de um mês terá uma dívida de R$ 1.083,30. Recomenda-se que a dívida ou saldo devedor no cheque especial sejam pagos o mais rápido possível ou dentro de, no máximo, quatro dias. Lembre-se que a cada dia que passa sua dívida aumenta devido aos juros.
Por outro lado se a pessoa emprestar pelo crédito pessoal os mesmos R$1.000,00 com os juros somados serão R$ 1.030,20 no final de 30 dias. Portanto, a dívida será menor e ela perceberá que valeu a pena escolher um empréstimo com taxa de juros menor.
Outra modalidade oferecida no mercado é o crédito consignado, que pode ser utilizado por quem está empregado e a empresa negociou com o banco este benefício para seus funcionários. Os pagamentos são descontados na folha de pagamento e a taxa de juros é menor ainda (2,00% ao mês). O crédito consignado também pode ser negociado com o banco que paga a aposentadoria descontando a prestação do empréstimo.
Os motivos pelos quais as pessoas não pensam nos juros que estão pagando, têm várias causas sendo que a principal é que elas não calculam a diferença entre o pagamento à vista e o pagamento em parcelas, que incluem os juros. Ao optarmos pelo pagamento a vista, devemos negociar um desconto. Nas classes C e D muitas pessoas nunca tiveram conta bancaria e cartão de crédito e agora passaram a ter essa oportunidade. Sendo assim, agora precisam aprender a utilizar estas facilidades que levam ao consumo. O atraso nos pagamentos ou inadimplência aumentou 5,59% em junho em relação a maio de 2010. Fernando Sasso, economista da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), declarou ao jornal O Estado de S. Paulo, de 09 de julho de 2010, que “a maior parcela dos endividados é das classes C, D e E”. Cabe ressaltar que algumas pessoas das classes A e B também têm dificuldades para analisar essas facilidades e acabam gastando mal.
Consumir é bom não só para as pessoas como também para a economia do país, já que cria maior produção nas indústrias, dá dinamismo ao comércio, aos serviços e cria mais empregos. Contudo, é muito perigoso para o nosso bolso.
A Help Personal Assistant pode ajudar na avaliação das opções de financiamento e sugerir a melhor forma para adquirir um bem.
(*) Heloisa Sundfeld é professora e sócia fundadora da Help Personal Assistant e João B. Sundfeld é economista e assessor financeiro da Help Personal Assistant.
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