Material escolar fica mais caro


Faltando menos de um mês para o início do ano letivo de 2009, os pais devem começar a preparar o bolso. Motivo: os preços de livros e outros materiais escolares estão 10,25%  mais caros em Salvador em relação ao ano passado.  Os dados são da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O argumento é que a crise financeira  impactou  o setor, uma vez que boa parte, do papel usado em livros e cadernos, por exemplo, é importada.

André Braz, especialista em análises econômicas da FGV, diz que, nos últimos cinco anos, o preço do material escolar apresentou uma alta de 67,31% em Salvador, bem superior à inflação, medida pelo IPC/FGV, que subiu 24,51% no mesmo período.

“Em parte, o aquecimento da economia, que ocorreu até o final do terceiro trimestre de 2008, explica a aceleração ocorrida no preço dos materiais. A redução do índice de desemprego e o crescimento da massa salarial ampliaram o poder de compra das famílias, o que forneceu espaço para o comércio promover alguns aumentos de preços, como o que ocorreu com o material escolar”, justifica o analista.

Braz aponta que a alta do dólar também leva ao reajuste nos preços. Ele informa que, como muitos destes produtos são importados da China, a tendência é que produtos, como estojos e mochilas, fiquem mais caros. “Nestes casos, o consumidor começa a optar pelos produtos nacionais, com os menores preços. Mas, como a demanda aumenta, a tendência é o produto nacional também encarecer”, diz Braz.

Para não deixar para última hora, e correr o risco de não conseguir fazer uma boa pesquisa de preço, a enfermeira Evanilda Costa  já partiu para as compras com a filha Carolina Costa, que vai cursar a 8ª série. A negociação entre as duas é dura e envolve a escolha entre uma mochila de R$ 77 e outra de R$ 34.

“Caderno, ela só quis um, caro. Então, vamos levar a mochila mais em conta”, diz Evanilda. Ela acrescenta que o caderno foi um dos itens da lista mais caros e custou R$ 25. Para economizar, ela cortou a compra de lápis de cor, hidrocor e outros itens que serão reutilizados.

As despesas com os materiais, Evanilda vai pagar à vista, com a economia que fez com o 13° salário. Já os livros, que irão custar mais, ela diz que não tem jeito: vai ter que parcelar.

Para André Braz, da FGV, os pais devem ter cuidado neste aspecto, já que em janeiro há outras despesas importantes,  como IPVA, IPTU e a matrícula e o 13° geralmente não dá para pagar todas elas. “O ideal é que os pais, mensalmente, reservem uma parte do orçamento para comprar todo o material escolar à vista. E não resolvam juntar este dinheiro apenas no final de cada ano”, orienta.

Abusivo – Outra recomendação é prestar atenção aos itens que não podem constar na lista. Eles já são facilmente reconhecidos pelos pais, mas algumas escolas ainda insistem em pedir, por exemplo,  papel higiênico, material de limpeza e administrativo para a instituição.

Foi este o caso de Elenilson de Oliveira, vigilante, pai de João Pedro, que está indo para a 2ª série do ensino básico. A escola do garoto pediu 500 folhas de papel ofício, quantidade que nenhuma criança consegue usar durante o ano letivo, e ainda pediu brinquedos.“Minha mulher foi reclamar na escola e eles falaram que a gente comprasse o que pudesse, que os brinquedos não eram obrigatórios”, conta Oliveira.

Necessário – Como tem duas filhas, uma indo para a alfabetização e outra para a 1ª série, a bancária Fernanda Cazé diz que procura sempre comprar o estritamente necessário. Ela argumenta com as meninas que, se já comprou um estojo mais caro, vai levar uma mochila mais barata. Sobre as tintas e papéis, sentencia: “Prefiro pagar uma taxa para a escola e comprar apenas o restante. Não sai tão mais caro”.

Ainda há uma outra opção para diminuir os gastos, que é a compra do material em atacado. Para Heloísa Sundfeld, especialista em finanças domésticas, se três ou quatro pais comprarem juntos, podem conseguir fazer uma economia de até 30%.

“Mas tem também que saber o preço do varejo. Para não achar que está fazendo um grande negócio e não estar”, orienta a especialista. Heloísa diz que é recomendável que o responsável pesquise em pelo menos seis lojas antes de comprar os artigos. Também vale incentivar as crianças a reaproveitar o material do ano anterior.



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